O jogo e as Bets do Alasca à Terra do Fogo

Carlos Lima
Carlos Lima, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR)

Mais de 60 mil sites de apostas são identificados após proibição das bets no Brasil

Relatório da ANJL reúne endereços com indícios de oferta de jogos. Operadoras relatam uso de suas marcas para direcionar consumidores a outras plataformas

Um levantamento da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), realizado com o sistema de monitoramento LegitBet, identificou 60.477 sites suspeitos de oferecer apostas desde o início do acompanhamento, realizado após a proibição das bets no Brasil. Em 34.134 desses endereços, a ferramenta encontrou elementos como ofertas de bônus, pagamentos por Pix e formulários de cadastro. Os dados estão atualizados até terça-feira, 27, reporta Veja Negócios.

Os números representam a entrada de endereços na base de monitoramento, e não necessariamente a criação de novos sites. A confirmação pela ferramenta indica a presença dos elementos pesquisados, sem substituir a análise das autoridades sobre a situação de cada página.

Além dos endereços identificados, empresas do setor relatam o uso de suas marcas para atrair apostadores a outras plataformas. A prática inclui imitações da identidade visual das operadoras e publicações que mencionam empresas conhecidas, mas oferecem links para serviços diferentes.

“Estamos diante de golpes que exploram a confiança do consumidor em marcas conhecidas. Há sites que imitam a identidade visual de operadoras como Betano, Novibet, Bet365 e BetMGM”, afirma Carlos Lima, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidade que representa empresas de apostas.

A Medida Provisória 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país. A restrição alcança apostas esportivas e jogos on-line, inclusive quando oferecidos por empresas sediadas no exterior a pessoas localizadas no Brasil. O cronograma divulgado pelo Ministério da Fazenda determinou que os sites e aplicativos destinados à oferta dessas apostas ficassem indisponíveis a partir de 6 de outubro...

Em um dos episódios relatados pelo IBJR, uma página que utiliza o nome da empresa funciona como porta de entrada para outra plataforma. Conforme o material encaminhado à reportagem, os cliques redirecionam o visitante a um site que anuncia bônus de 500% nos quatro primeiros depósitos.

A empresa também relata publicações em páginas de terceiros que usam seu nome e o de outras operadoras para atrair leitores. Os links dessas publicações, porém, encaminham o público a outras casas de apostas.

Somente na terça-feira, 27, entraram na base do LegitBet 436 endereços suspeitos, dos quais 231 tiveram as características confirmadas. Na mesma data, o sistema registrou 374 links suspeitos divulgados nos canais acompanhados. Esse último indicador mede a circulação de links, independentemente da identificação de novos sites.

O monitoramento utiliza pesquisas na internet, registros recentes de domínios, redes de páginas já acompanhadas, canais do Telegram e redes sociais. O relatório também identifica endereços com nomes semelhantes, diferenciados por números, letras ou terminações.

“Bets clandestinas continuam anunciando em redes sociais, como o Instagram, e divulgando esses golpes em aplicativos de envio de mensagens, levando o público para páginas que não oferecem as mesmas garantias de segurança das operadoras licenciadas”, afirma Lima.

Os dados mostram a presença de páginas suspeitas durante a vigência da proibição, mas não permitem medir, isoladamente, o efeito da medida provisória sobre o tamanho do mercado clandestino, o volume de apostas ou a ocorrência de fraudes.

O IBJR defende a retomada de um mercado regulado e fiscalizado. “Com as plataformas reguladas fora do ar, ficou mais difícil para o consumidor distinguir um canal verdadeiro de uma imitação. A proibição afastou as empresas fiscalizadas, mas não impediu a circulação dessas ofertas que prejudicam a sociedade”, afirma Lima.

“É preciso investigar os responsáveis, remover anúncios e sites fraudulentos, e interromper os pagamentos que sustentam essas operações”, diz o executivo.